Os reflexos da Nilo Peçanha

Durante o dia a avenida com nome de ex-presidente “mulato” aparenta uma grandeza recente. Sua via fica congestionadas de veículos caros e ônibus lotados de empregadas ou estudantes. As lojas de móveis abrem suas portas e a imponência do valor de cada objeto exclui o transeunte no simples olhar. Vitrines de luxo e do alto padrão do design de interior.

Durante a noite a avenida com nome de ex-presidente (único “mulato” da história) apresenta um contraste. Da única viela visível de uma vila surgem as pequenas sombras que o dia esconde. E aproveitando o anonimato da escuridão e o isolamento da noite vazia, elas brincam em frente às vitrines.

Os menores montam seu “faz de conta” na loja de artigos infantis, fingindo que o boneco colado no vidro faz parte do quarto no meio da rua.

Os maiores ocupam os degraus das outras vitrines, também proibitivas. Ali sonham no faz de conta de ter aquilo que é estampado, no faz de conta de viver em um mundo onde nada falta e por isso é possível comprar o luxo.

Um casal já mais velho namora em frente ao sofá onde jamais poderão sentar. Eles fazem planos e escolhem os móveis da casa de faz de conta que inventarão para os filhos no futuro.

Só conseguimos ver suas sombras. A luz é privilégio dos objetos em exposição.

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