Poder Popular na Rua

Tinha resolvido não escrever nada sobre as manifestações contra o aumento da passagem em Porto Alegre, mas é quase impossível. Ou aparentemente impossível. A piada volta só de lembrar o riso surpreso ao ver a multidão ocupando as ruas. Foi sem dúvida nenhuma a maior manifestação que já participei na cidade.

E como sempre o lado ruim vem depois. Depois de acordar – literalmente. Depois de ligar o computador. A massa reacionária e ativa não perde tempo e acompanhando os discursos do prefeito (que se afunda cada vez mais), aponta para o trânsito, para as paredes que gritam e para os “transtornos”. Uma massa que não entende o que é uma manifestação, um protesto, uma revolta.

E o mesmo é feito pela mídia. Pobre mídia que levou ovo, pobre mídia que cobriu o acontecimento da redação. Ela que apenas reproduz aquilo que lhe ensinaram e que só demonstra indiferença porque tem medo do que não entende. Finge que o fato de reunir oito mil pessoas em marcha pela cidade é uma notícia menor. Ou que notícia mesmo é a falta de “confrontos”. Os relatos dos que participaram estão em diversos blogs e nas páginas das redes sociais e desmentem qualquer tentativa de manipulação.

Nem posso contar o que vivemos naquela noite, principalmente porque não foi um sonho alucinado. Foi real, concreto. Tinha propósito, os olhos não brilhavam, estavam firmes. O grito não era desabafo, era raiva, era consciência. A cidade que queremos só pode ser construída assim. E a força verdadeira é aquela que se encontra na rua, entre as pessoas.

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