Relato de um show ou como eu sou muito mais chata que o Drexler

Hay tantas cosas yo sólo preciso dos: Mi guitarra y vos

Resolvi escrever mesmo que isso me faça perder amizades. Só vejo elogios ao show de ontem do músico uruguaio Jorge Drexler no Araújo Vianna. E realmente, o show foi muito legal. Foi muito “amor”, foi cheio de momentos engraçados e mostrou um Drexler solto e contente.
Mas, e aqui sempre vale um “mas”, o show não foi ótimo. Talvez eu realmente seja MUITO chata, mas… Onde foram parar os instrumentos de verdade? (notem o conservadorismo). Mesmo assim, não vou pedir perdão por não gostar de batidas eletrônicas.
Não pago R$80,00 pra ver alguém com um tablet num palco. E aqui não é uma crítica ao grupo da plateia que subiu no palco e brincou de montar a canção com Drexler (projeto N), mas aos únicos músicos que acompanham o uruguaio na turnê. Perdón a los que jodo, pero a mí me gusta lo que es en vivo. Sou contra playback e suas derivações.
Se fosse um show voz e violão não teria me incomodado tanto. Aliás, os momentos voz e violão certamente emocionaram grande parte do público, e a mim também. Lágrimas chegaram a marejar os olhos em dois momentos. Foi a oportunidade de ouvir algumas músicas antigas que em shows mais movidos Drexler não tocava.
E a falta que senti da banda não foi simplesmente por não gostar de música eletrônica, mas porque se alguém aqui viu o show de lançamento de “Amar La Trama”, sabe muito bem que a banda prestava um espetáculo sozinha. Era de encher os olhos e ficar com a boca aberta. E o disco todo foi montado com a banda, é cheio de detalhes e instrumentos “vivos”. Bem entendo que algumas músicas exigem a tecnologia eletrônica, como “Disneylândia”, e por isso mesmo não vejo sentido em incluir essa canção na lista de um show, mas sou apenas muito chata.
Ontem Drexler foi simpático, comandou a plateia – que por não poder bater palmas resolveu sussurrar o que sabia das músicas. Ele até teve que pedir para que o público cantasse – o que é bastante raro. A abertura do Ian Ramil também foi linda e nem tenho palavras para a participação do Vítor Ramil (amado). Óbvio que, assim, no geral, o show foi um sucesso, mas não posso deixar de fazer a crítica – não me odeiem, Drexler continua no meu coração.
Yo miro a mi guitarra,
busco en las grietas del corazón.
Como estaré de solo
que estoy hablándole a una canción.

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One thought on “Relato de um show ou como eu sou muito mais chata que o Drexler

  1. Sua chata,
    Drexler é um artista experimentalista – e que bom para nós!
    Há alguns anos passou por aqui apenas com seu violão, na temporada seguinte trouxe junto sua banda. Agora vem com um novo formato e, se continuar assim, teremos novidades na próxima vez. Isso é um retrato de um grande artista, que se reinventa ao invés de se acomodar.
    Portanto, não o critique.

    beijo,
    ps: apesar desta crítica retrógada e conservadora, tu também… ¡continua no meu corazón!

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