Otoño en Montevideo

Parece mentira las cosas que veo por las calles de Montevideo… Retomando a fala, o gosto, o desejo. É o efeito de um passeio breve por Montevideo. Tanto tempo que o outono não me encontrava por aquelas ruas que eu já nem lembrava como era. E ele também não se lembrava de mim. Otoño. Como explicar?
O frio, el gris, o tom da voz. Mesmo que o sol tenha aparecido em alguns momentos… El gris. Montevideo pode ser dura, pode ser cruel. Normalmente é assim com quem não é turista. É o racismo, é o conservadorismo, é a falta de oportunidades. Mas existe algo além de tudo, que turistas não ignoram mas tampoco sabem nombrar, e que os moradores do lugar não esquecem jamais. É uma imagem de um homem num cavalo. De uma senhora de muitos anos tomando seu chá. De uma indiferença sincera. São os velhos no café da esquina tomando caña. Montevideo é velha em tudo. É o medo da morte e a resistência. É o riso simples, de um humor bruto. É a sobriedade de quem tem o mar nos olhos.
A cidade me embala, me inebria. Encontro fantasmas nas esquinas. Minha avó vem pelo vento e me conta histórias do lugar. E rimos juntas ao pisar nas folhas caídas dos plátanos. E conversamos de olhos fechados. E cantamos uns tangos. Uruguay é a casa da minha avó. Lá estão amigos e familiares queridos. E nos juntamos em uma mesa para ficar horas comendo, bebendo e rindo. Rir em Montevideo é tão fácil. Soñar en Montevideo es tan fácil.
Diferente foi a linda companhia. De trocar nostalgias. E reconhecer lugares. E conhecer tantos outros. Um grande presente foi esse: Idea Vilariño. La uruguaya. En todo tan profundo. En todo tan ella.

Tal vez no era pensar, la fórmula, el secreto,
sino darse y tomar perdida, ingenuamente,
tal vez pude elegir, o necesariamente
tenía que pedir sentido a toda cosa.
Tal vez no fue vivir este estar silenciosa
y despiadadamente al borde de la angustia
y este terco sentir debajo de su música
un silencio de muerte, de abismo a cada cosa.
Tal vez debí quedarme en los amores quietos
que podían llenar mi vida con un nombre
en vez de buscar al evadido del hombre,
despojado, sin alma, ser puro, esqueleto.
Tal vez no era pensar, la fórmula, el secreto,
sino amarse y amar, perdida, ingenuamente.
Tal vez pude subir como una flor ardiente
o tener un profundo destino de semilla
en vez de esta terrible lucidez amarilla
y de este estar de estatua con los ojos vacíos.
Tal vez pude doblar este destino mío
en música inefable, o necesariamente…

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