Sobre o olho do furacão

Todo es muy simple mucho
más simple y sin embrago
aun así hay momentos
en que es demasiado para mí
en que no entiendo
y no sé si reírme a carcajadas
o si llorar de miedo
o estarme aquí sin llanto
sin risas
en silencio
asumiendo mi vida
mi tránsito
mi tiempo.

Idea Vilariño.

Esse turbilhão de acontecimentos sedimentou muito do que era apenas pó e fez tremer mais de uma estrutura. A confusão parecia generalizada. Ninguém sabia mais para onde ir, com quem, ou por qual motivo… Alguém interpretou o momento como o olho do furacão.
Muito de preconceitos e análises apressadas surgiram por causa disso. E falo deste blog também, porque não tem problema nenhum reconhecer isso. Não que a participação dos reaças seja uma mentira. Mas depois de bons debates (os bons, aqueles que acontecem fora da internet), compreendi que hoje eles não passam de uma minoria. A única maneira de algo terrível acontecer, como um golpe, ou a tomada das manifestações pela direita, é se todo mundo sair das ruas.
A rua é o lugar para se construir os sentidos desse furacão. Não apenas nas manifestações, mas em debates, em conversas, nas trocas. Tive a oportunidade de usar o final de semana para participar de algumas discussões sobre o assunto e isso foi absurdamente importante e esclarecedor. A esquerda não pode ter medo da rua – muito menos desistir dela.
Até porque as pautas reacionárias (a redução da maioridade penal, a cura gay, o tão comentando golpe militar), são defendidas por uma minoria. A maior parte da população, mesmo sem saber, defende aquilo que todo esquerdista sempre defendeu. E aqui vai um vídeo para explicar melhor isso:

O que virá depois?

Só depois pra saber.

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One thought on “Sobre o olho do furacão

  1. Pqp! Genial seu post, noto que o momento é tão rico que acabamos nos assustando e/ou tirando conclusões precipitadas, pois tudo é muito novo e misterioso para a maioria. Afinal, independentemente da consciência política das pessoas que estão nas ruas, o fato é que respiramos um ar de comoção nacional sem precedentes. E a pauta, veja só, é a surrada POLÍTICA. Me identifiquei muito com seu comentário, e creio que teremos o privilégio de testemunhar uma das maiores batalhas ideológicas da nossa história recente.

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