Desgosto

Que sabor amargo esse que não sai da boca. Desperto depois de horas me revirando em sonho. Sinto a boca cheia, imunda. O dia passa em revista pelos meus olhos interiores. O tédio absoluto de horas mal gastadas me faz cobrir a cabeça com o lençol. E os pensamentos recorrem como em todas as manhãs. Tudo aquilo incrível e valioso que eu poderia fazer se não estivesse de mãos atadas. Meu estômago então se revira e sinto novamente o paladar insuportável. Cada minuto que passa, entre a limpeza da boca e a ingestão de alimentos, vem acompanhado de um aumento dessa infernal sensação presa a boca.
Precisei trocar a lâmpada. Encher de luz amarela para esquecer a escuridão cinza dos meus dias. O plástico da economia me lembra o motivo do desgosto. Dizem que vai passar. Mas afinal, eles também já morreram pela boca.

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