Rua dos Inválidos

Um homem caiu na rua. Um corpo atirado ao chão. Ficou imóvel. Seu rosto sangrava. Marcas de surra. Era noite no Rio de Janeiro. Era festa na Lapa. Na esquina da Rua dos Inválidos um homem permaneceu caído no chão.
As pessoas passavam com uma pressa rara para a madrugada, hora das intensas lerdezas. O bar na esquina da Rua dos Inválidos seguia funcionando, garçons carregavam cervejas e pastéis pelas mesas. O homem no chão era pano de fundo, decorativo. O homem no chão não existia.
A caminho da festa mulheres de caras pintadas passavam apressadas. Grupos de homens rindo de qualquer coisa sequer gaguejavam. Seus pés tocavam o mesmo chão da esquina em que o homem caído e sangrando permanecia imóvel. Não deram nem um segundo olhar.
Uma hora depois e nem ambulância, nem médicos, nem uma pessoa sensível parou na esquina para saber se o homem caído na Rua dos Inválidos estava vivo. Mera ilustração não ficcional da via.

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